O que é?ProgramaçãoPremiadosSelecionadosNotíciasParceirosImprensaContato 5 Putz

Notícias


Segunda-feira, Junho 02, 2008

5º PUTZ! divulga vídeos premiados

Confira a lista dos vencedores do festival.

Ficção
Jurados: Pedro Merege e Rudney Flores

1º lugar
Engano (Ficção, 11', 2008)
Cavi Borges (Estácio de Sá)

2º lugar
Pipa (Ficção, 15'35'', 2008)
Leonardo Bello (FAAP)

3º lugar
Lavanderia Shermer (Ficção, 19'56'', 2008)
Wellington Sari (FAP/ CINETVPR)

menção honrosa
[colorado esporte cluBE] (Ficção, 4'33'', 2007)
Fábio Allon dos Santos (FAP/ CINETVPR)

menção honrosa
Papel de Júlia (Ficção, 8'15'', 2008)
Helton Okada (FAAP)

Trash
Jurados: Terence Keller e Rodrigo Juste Duarte

1° lugar
Como fazer um curta-metragem experimental, cult e pseudo-intelectual (Trash, 6'17'', 2008)
Vitor Alli Abrahão Bittencourt (UFRJ)

2° lugar
Sentença polimaternal ou Como a morte de um pernilongo pode abalar a paz no lar (Trash, 2'51'', 2007)
Armando Fonseca (IESB)

3° lugar
A morte dos lactobacilos vivos (Trash, 2'18'', 2007)
Tiago Lenartovicz (UNOPAR)

menção honrosa
O ano que não fui ao FERA (Trash, 10', 2007)
Diego Alexandre Stavitzki (FAP/ CINETVPR)

menção honrosa
Paranóia do Negão (Trash, 3’59’’, 2007)
Armando Fonseca (IESB)

Experimental/ Arte
Jurados: Nicole Lima e Ricardo Machado

1° lugar
Pragmática para uma boa colheita (Experimental/ Arte, 3'55'', 2008)
Fernando Aquino Martins (UnB)

menção honrosa
WAX (Experimental/ Arte, 59'', 2007)
Thales Banzai (UP)

Videoclipe
Jurados: Lucas Negrão e Tiago Madalozzo

1º lugar
Fallen Angels – Wandula (Videoclipe, 3'02'', 2007)
João Krefer (FAP/ CINETVPR)

2º lugar
Vacuum - Lonely Nerds' Songbox (Videoclipe, 3'48’', 2006)
Daniel Grizza (FAP/ CINETVPR)

3º lugar
Cabra Cega - Sol na Garganta do Futuro (Videoclipe, 6'26'', 2007)
Sol na Garganta do Futuro (UFES)

menção honrosa
A Grande Verdade - Vadeco e Os Astronautas (Videoclipe, 4'23'', 2007)
Direção coletiva (FAP/ CINETVPR)

Documentário
Jurados: Danilo Pschera e Adriano Justino

1° lugar
Chá das três (Documentário, 15'41'', 2008)
Ivo Schergl Jr. (PUCRS)

2° lugar
Solitário anônimo (Documentário, 18', 2007)
Debora Diniz (UnB)

3° lugar
Em 5 segundos (Documentário, 16'16'', 2008)
Banzai Studio | Interlux Arte Livre (UP)

Vídeo Reportagem
Jurados: Danilo Pschera e Adriano Justino

1° lugar
Um cine prive (Vídeo Reportagem, 4'06'', 2007)
Carlos Henrique de Oliveira (UTP)

2° lugar
O que é SVC? (Vídeo Reportagem, 3'01'', 2007)
Victor Granemann Vieira Paulino (UP)

3° lugar
Cidade dos invisíveis – moradores de rua (Vídeo Reportagem, 5', 2007)
Ana Cláudia Maia (UP)

Vídeo Publicitário
Jurados: Claudio Freire e Patrícia Papp

1º lugar
Banzai Cabeças (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Banzai Studio (UP)

2º lugar
Linha do Tempo (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Geo Filho (FTC Vitória)

3º lugar
Seja Diverso (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Lucas Aguiar Caires (FTC Vitória)

Vídeo Institucional
Jurados: Claudio Freire e Patrícia Papp

1º lugar
Ruído/mm (Vídeo Institucional, 8'30'', 2007)
Solange Lingnau (UFPR)

2º lugar
Comunicação Social UTP - Agora é a sua vez (Vídeo Institucional, 7'34'', 2007)
Felipe Guedes Antunes (UTP)

3º lugar
Isabella (Vídeo Institucional, 2'19'', 2008)
Jeferson Biela (UP)


Publicado por PUTZ em 09:58

___________________________


Sexta-feira, Maio 30, 2008

Festinha do PUTZ!

No sábado (31/05), o PUTZ realiza a premiação do festival, no Sesc da Esquina, às 20h. Depois, a comemoração continua no Soho Underground (Visconde do Rio Branco, 870), às 21h30.

Com a banda Je rêve de toi, Giancarlo Rufatto e Sol Lingnau.
Por módicos R$ 3.


Publicado por PUTZ em 12:11

___________________________


Quarta-feira, Maio 28, 2008

O PUTZ! começou!

Cadastre-se na página da Coluna Kinoputz e concorra a prêmios no último dia do festival.


Publicado por PUTZ em 13:28

___________________________


Quarta-feira, Maio 21, 2008

5º PUTZ! oferece curso gratuito de crítica de cinema

Estão abertas as inscrições para o curso gratuito de Crítica de Cinema, a ser ministrado por Luiz Carlos Oliveira Jr., da conceituada revista Contracampo, especializada em crítica cinematográfica. As vagas são limitadas. Os interessados devem acessar o site www.putz.ufpr.br, do Festival Universitário de Cinema e Vídeo, que promove a atividade, e efetuar a inscrição.

O curso faz parte das atividades do 5º PUTZ! Festival Universitário de Cinema e Vídeo de Curitiba, e acontece nos dias 28, 29 e 30 de maio (de quarta a sexta-feira da semana que vem), a partir das 14h, na Cinemateca de Curitiba.

O Festival começa na terça-feira, dia 27, com a presença do paranaense Marcos Jorge, diretor do filme Estômago. Ao todo, foram inscritos 263 vídeos de todo o Brasil. Durante o 5º PUTZ! serão exibidos 54 trabalhos selecionados, a partir das 19h, no Sesc da Esquina. Entrada franca.

Informações adicionais:

Quem é Luiz Carlos Oliveira Jr?
Edita a revista de cinema Contracampo, onde escreve desde 2002. Ministrou aulas no CineSESC-SP, em cursos sobre cinema contemporâneo (2003, 2005 e 2007), e conduziu seminários sobre cinema contemporâneo e oficinas de crítica de cinema durante a Mostra Londrina de Cinema em 2005, 2006 e 2007. Ofereceu um workshop de crítica no festival Curtacinema em 2007. Participou do Trainee Project for Young Film Critics no International Film Festival Rotterdam em 2008.

E o que vai ter na oficina?

Oficina de crítica de cinema
Discutiremos a prática do pensamento cinematográfico como uma atividade ampla, que pode englobar diferentes formatos (críticas em jornais e sites, trabalhos ou pesquisas acadêmicas, ensaios) e que busca o lugar do cinema no vasto universo audiovisual contemporâneo, analisando-o em relação dinâmica com a televisão, a vídeo-arte, a Internet. Além disso, haverá uma compreensão próxima e detida dos caminhos percorridos em alguns momentos-chave da história da crítica cinematográfica, no Brasil e no exterior. Exibiremos muitos trechos de filmes e alguns curtas-metragens: é preciso pensar com as imagens, criticar os filmes na presença deles. O objetivo é compreender como a relação entre crítico e obra pode gerar uma forma particular de sensibilidade e de pensamento sobre o cinema (e, por conseguinte, sobre o mundo). A oficina será composta de três aulas de três horas de duração cada.


Publicado por PUTZ em 10:59

___________________________


Sexta-feira, Maio 16, 2008

Agenda na mão, gurizada! Saiu a ordem de exibição!!

A comissão de organização do 5º PUTZ! liberou a ordem de exibição dos vídeos selecionados para a quinta edição do Festival Universitário de Cinema e Vídeo de Curitiba. Chamem os amigos, intimem os parentes a comparecer e prestigiar o dileto trabalho do orgulho da família.

Ah, se você não for um realizador, não tem problema. Terá tantos motivos quanto eles para comparecer no Sesc da Esquina, em Curitiba, entre os dias 27 e 30 de maio, a partir das 19h. Ou vai deixar passar essa chance única de se tornar um connoisseur do audiovisual universitário? De citar na roda de amigos o filme mineiro show de bola, ou a produção candanga que deixou todo mundo de queixo caído? Aquele trash curitibano que fez todos rolarem de rir, você não viu? Perdeu? Bem feito. Daqui a dez dias não há outro lugar para se estar que não o PUTZ! Se duvida, dê uma olhada na nossa ilustre lista de convidados para a festa do audiovisual universitário:

27/05, terça-feira

Noite de abertura. Exibição de curtas e roda de palestras com cineastas de renome nacional (quer uma dica? Vá ver Estômago nos cinemas).

28/05, quarta-feira

O ano que não fui ao FERA (Trash, 10', 2007)
Direção: Diego Alexandre Stavitzki (CINETVPR)

Loira do banheiro (Trash, 4'06'', 2008)
Direção: Thales Banzai (UP)

Em apuros (Trash, 47'', 2007)
Direção: Christopher Faust | Antônio Junior | Wellington Sari (CINETVPR)

Um cine prive (Vídeo Reportagem, 4'06'', 2007)
Direção: Carlos Henrique de Oliveira (UTP)

Lavanderia Shermer (Ficção, 19'56'', 2008)
Direção: Wellington Sari (CINETVPR)

[colorado esporte cluBE] (Ficção, 4'33'', 2007)
Direção: Fábio Allon dos Santos (CINETVPR)

Papel de Júlia (Ficção, 8'15'', 2008)
Direção: Helton Okada (FAAP)

Moradores do 304 (Ficção, 14'59'', 2007)
Direção: Leonardo Cata Preta (UFMG)

Aquário (Ficção, 9'10'', 2008)
Direção: Cíntia Domit Bittar (Unisul)

Comunicação Social UTP - Agora é a sua vez (Vídeo Institucional, 7'34'', 2007)
Direção: Felipe Antunes (UTP)

WAX (Experimental/ Arte, 59'', 2007)
Direção: Thales Banzai (UP)

Praia de Botafogo (Experimental/ Arte, 4'50'', 2008)
Direção: Flora Dias (UFF)

Largo (Experimental/ Arte, 1', 2008)
Direção: Fernando Banzai (UTFPR)

Absolutamente Anselmo! (Documentário, 19'58'', 2007)
Direção: Thalita Sdroiewski Ubá (UFPR)

DARAXACO - futebol e bombas (Documentário, 3'44', 2007)
Direção: Diego Alexandre Stavitzki (CINETVPR)

Seja Diverso (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Direção: Lucas Caíres (FTC Vitória)

Meu Precioso (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Direção: Samuel Samways (UP)

Cabra Cega - Sol na Garganta do Futuro (Videoclipe, 6'26'', 2007)
Direção: Sol na Garganta do Futuro | Érico de Carvalho Perim (UFES)

29/05, quinta-feira

Um Pé de Chinelo (Experimental/ Arte, 6'10'', 2007)
Direção: Ariel Schvartzman (FAAP)

Vídeo Arte 02 (Experimental/ Arte, 5'07'', 2008)
Direção: Gustavo Quarentei Rossini (Unicamp)

Em 5 segundos (Documentário, 16'16'', 2008)
Direção: Banzai Studio | Interlux Arte Livre | Thales Alves de Quadros (UP)

Solitário anônimo (Documentário, 18', 2007)
Direção: Debora Diniz (UnB)

Talento (Vídeo Publicitário, 1', 2008)
Direção: Jeferson Biela (UP)

BIC (Vídeo Publicitário, 35'', 2007)
Direção: Mathias Cruz | Danilo Vianna (PUCPR)

Cidade dos invisíveis – moradores de rua (Vídeo Reportagem, 5', 2007)
Direção: Ana Cláudia Maia (UP)

Vacuum - Lonely Nerds' Songbox (Videoclipe, 3'48'', 2006)
Diretor: Daniel Ozzkeith Grizza (CINETVPR)

Fallen Angels - Wandula (Videoclipe, 3'02'', 2007)
Direção: João Krefer (CINETVPR)

Isabella (Vídeo Institucional, 2'19'', 2008)
Direção: Jeferson Biela (UP)

A câmera com um homem na mão (Ficção, 4'43'', 2007)
Direção: Henrique Ribeiro | Julia Campos (UP)

Engano (Ficção, 11', 2008)
Direção: Cavi Borges (Estácio de Sá)

Rua Javari (Ficção, 19'56'', 2007)
Direção: Rodrigo Fonseca (FAAP)

Cristo (Ficção, 2'13'', 2007)
Direção: Adriano Oliveira Esturilho (CINETVPR)

Carlinhos (Trash, 5'25'', 2007)
Direção: Luan Banzai | Rimon Guimarães (UTFPR)
Thales Alves de Quadros (UP)

Colt Romero (Trash, 1'23'', 2007)
Direção: Cristian Verardi (UFRGS)

A morte dos lactobacilos vivos (Trash, 2'18'', 2007)
Direção: Tiago Lenartovicz (UNOPAR)

Paranóia do Negão (Trash, 3'59'', 2007)
Direção: Armando Fonseca (IESB)

30/05, sexta-feira

O que é SVC? (Vídeo Reportagem, 3'01'', 2007)
Direção: Victor Granemann Vieira Paulino (UP)

Proibidão CWB (Trash, 48'', 2008)
Direção: Banzai Studio | Thales Banzai (UP)

Sentença polimaternal ou Como a morte de um pernilongo pode abalar a paz no lar (Trash, 2'51'', 2007)
Direção: Armando Fonseca (IESB)

Como fazer um curta-metragem experimental, cult e pseudo-intelectual (Trash, 6'17'', 2008)
Direção: Vitor Alli (UFRJ)

Pragmática para uma boa colheita (Experimental/ Arte, 3'55'', 2008)
Direção: Fernando Aquino Martins (UnB)

uLIVErsO (Experimental/ Arte, 2'09'', 2008)
Direção: Ulisses Sato (UFPR)

Chá das três (Documentário, 15'41'', 2008)
Direção: Ivo Schergl Jr. (PUCRS)

Presídio do Ahú (Documentário, 8'15'', 2007)
Direção: Angela Antunes (PUCPR)

Pipa (Ficção, 15'35'', 2008)
Direção: Leonardo Bello (FAAP)

NÓS (Ficção, 14', 2008)
Direção: Fábio Allon dos Santos (CINETVPR)

Para ver os extras insira o disco 2 (Ficção, 12'47'', 2007)
Direção: Jaiê Saavedra (PUCRJ)

Nem tudo são flores (Ficção, 9'45'', 2007)
Direção: Andréia Boatchuck (UTP)

Ruído/mm (Vídeo Institucional, 8'30'', 2007)
Direção: Solange Lingnau (UFPR)

Quando eu crescer eu quero ser... (Vídeo Institucional, 3'03'', 2007)
Direção: Marcos Farion | Cristiane Senn (UTP)

A Grande Verdade - Vadeco e Os Astronautas (Videoclipe, 4'23'', 2007)
Direção: Coletiva | Fábio Allon dos Santos (CINETVPR)

Linha do Tempo (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Direção: Geo Filho (FTC Vitória)

Deixe o Mundo mais Colorido (Vídeo Publicitário, 40'', 2007)
Direção: Hingrid Meinelecki Bueno Barbosa (PUCPR)

Banzai Cabeças (Vídeo Publicitário, 30'', 2007)
Direção: Banzai Studio | Thales Alves de Quadros (UP)

31/05, sábado

Noite de premiação. A festa do cinema universitário. Os jogos de azar são ilegais no Brasil, mas isso não é desculpa para deixar de fazer a sua fezinha. Quem leva o maior prêmio da noite?


Publicado por PUTZ em 08:03

___________________________


Quinta-feira, Maio 01, 2008

315 idéias por minuto
Direto da Coluna Kinoputz, no Portal Bem Paraná

No sábado, 26/04, aconteceu a mostra 315 em 1 na Cinemateca de Curitiba. A idéia surgiu de uma parceria entre a Fundação Cultural de Curitiba e a Pulp Idéias e Conteúdo – uma agência diferente. A coluna Kinoputz conversou com a Patrícia Papp da Pulp (quase a língua do pê) para saber como foi organizar uma mostra com vídeos de um minuto enviados pela internet sobre o aniversário da cidade.

Confira o texto completo, no Portal Bem Paraná. No final da coluna, Patrícia indica o Top 5 da mostra com os links para os vídeos.


Publicado por PUTZ em 15:18

6º Curta Santos abre inscrições
Estăo abertas as inscrições para o VI Curta Santos

As inscrições, que vão até o dia 6 de julho, estão abertas a produções nacionais e caiçaras para as mostras competitivas oficiais. Serão realizadas somente através do site do festival. A novidade é que os curtas agora podem ser inscritos sem data limite de produção: vale para filmes produzidos em qualquer época.

No site também é possível encontrar o regulamento do concurso. Os filmes que participam das mostras concorrem aos prêmios de melhor curta, direção, fotografia, montagem, som, ator e atriz.


Publicado por PUTZ em 15:15

___________________________


Quinta-feira, Abril 24, 2008

Coluna Kinoputz

A coluna Kinoputz conversou nesta semana com Eduardo Baggio, diretor do documentário Amadores do Futebol . O filme será exibido pela primeira vez ao público na sexta-feira (25/04), às 19h30, no Auditório Poty Lazzarotto do Museu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999). A entrada é franca.

Confira a conversa no Portal Bem Paraná.


Publicado por PUTZ em 20:08

___________________________


Domingo, Abril 20, 2008

Conversa com Rodrigo Grota, da Coluna Kinoputz
Parte 3, a última

PUTZ – Quero saber, nessa área de formação, os cursos, quem são as pessoas que vão lá? São velhos, jovens, quem são essas pessoas?
RG – O público é completamente diverso. Acho que o principal mesmo é o universitário. Não há aqui um curso de cinema, mas há cursos correlatos, jornalismo, relações públicas, desenho industrial, artes plásticas, artes cênicas, publicidade e propaganda. Existem vários cursos de áreas similares, mas não há um curso de produção audiovisual ou de cinema. Então acho que mais da metade de nosso público vem desses cursos que te citei. A outra metade às vezes trabalha no mercado publicitário ou jornalístico e quer uma formação um pouco mais específica, ou aprofundar sua formação. Tem também o caso de algumas pessoas que gostam muito de cinema, mas nunca fizeram um curso, nunca tiveram um contato um pouco mais concreto. Alguns cursos não exigem qualquer experiência prévia com assunto, mas outros sim. Por exemplo, os cursos com profissionais mais renomados a gente limita as vagas e faz uma seleção até para fins didáticos, para que a sala não fique muito grande ainda mais quando são cursos práticos.

PUTZ – De que forma essa atuação afetou a produção local de cinema, a apreciação, a exibição, a cena em geral?
RG – Em 2003 lembro que comecei a participar da Mostra Londrina de Cinema. Tivemos a idéia de criar uma competitiva local até com esse objetivo de tentar mapear e saber a qualidade do material feito em Londrina. Na primeira competitiva de 2003 abrimos para filmes rodados desde 1991 até 2003. A gente estava com medo de não ter nada. Apareceram 20 curtas, de 91 a 2003, nenhum em película, alguns em betacam, ou minidv, ou algum formato de vídeo. E a qualidade não era muito boa, mas dava para ter uma idéia do que era produzido. Em 2004, a o cenário foi mais ou menos parecido, mas com 20 curtas apenas entre 2003 a 2004. Os curtos eram produzidos pelos alunos nas faculdades, nas disciplinas de vídeo do curso de desenho industrial ou artes plásticas, ou eram documentários produzido pelos alunos de jornalismo. Em 2005, a competitiva foi depois das aulas Kinoarte a aí foi o auge em relação à produção local. Realmente, teve um efeito concreto das oficinas Kinoarte refletido na qualidade dos filmes. Deu para perceber que algumas características que professores haviam falado estavam em conexão com alguns filmes produzidos. A gente teve documentários muito bons e quando Kiko Goifman tinha dado a oficina de documentário. Tinha curtas com preocupação de roteiro e o Hílton Lacerda havia dado uma oficina de roteiro. A partir de 2006 e 2007 a gente manteve a qualidade dos filmes. Tem ano em que a safra não é tão boa, mas o interessante é que a safra que a gente consegue rastrear é de até 40 filmes por ano, todos em suporte digital. No ano passado fizemos uma sessão Kinoarte Mostra Curtas no Valentino que estreou seis curtas locais e deu quase 400 pessoas no bar. Esses curtas tinham sido produzidos no cambito local depois da competitiva de 2007, então já tem seis curtas bons para competir em 2008. Também estimula os alunos porque eles não se vêem mais tão isolados a partir do momento em que conhecem um profissional atuante no mercado e começam a perceber que não é tão complicado chegar, ao menos do ponto de vista técnico, a realizar um filme. O que a gente sempre fala para os alunos das oficinas Kinoarte – e acho que esse mesmo é o grande problema de como passar isso – é que não basta apenas o aluno fazer um curso com a gente e dominar a técnica do que está sendo discutido. O mais importante não vai ser a técnica de como fazer um filme, mas o importante é uma outra coisa, bem anterior, que é a formação humanística do aluno, a preocupação com o que ele quer expressar no filme. Isso não tem como passar em um curso de dois ou três fins de semana, ou em um mês. Isso é coisa para vida toda. Kinoarte tenta criar essa relação com aluno a longo prazo e por isso temos vários projetos de exibição, de formação, porque as pessoas vão fazendo uma relação com o cinema que é lenta e gradual. Com o avanço da tecnologia digital, muita gente começou a fazer filmes, e daí essa possibilidade muito grande de você conseguir fazer um filme em um curto período de tempo acaba dando uma falsa idéia de que “nossa, eu sei fazer um filme”, so que fazer um filme não é apenas dominar um programa de captação de imagem ou digitalização e exibição. O mais importante, talvez em relação a cinema que a gente preza, é realmente expressar alguma coisa a partir daquele seu filme, ter alguma coisa para dizer. Esse é um problema generalizado. Às vezes os alunos vêm com muita sede e vontade aprender a técnica, mas não se importam muito com o que vão expressar por meio dela.

PUTZ – Aqui no Putz acho que dá para sentir um pouco a mesma coisa, que é uma necessidade crescente de se fazer uma reflexão do que está sendo feito e exibido. Porque o Putz surgiu de uma forma muito espontânea e é um festival que, aos poucos, está amadurecendo. Então de alguns anos para cá começaram a surgir debates, o pessoal trouxe o Joel Pizzini, enfim, tenta-se dar um eixo mais reflexivo sobre a própria produção. Até há pouco tempo não havia nenhum curso de cinema em Curitiba. A situação é um pouco parecida. Outro dia fui numa universidade e senti que o pessoal, mesmo interessado, é um pouco distante. É preciso trabalhar com formação de olhar. Não há parâmetro ali para uma visão de cinema, uma forma de olhar o cinema. As reações são os gostismos pessoais, ou seja, é “gostei/ não gostei”, “é chato”, coisas assim. Claro que todo mundo pode dar uma opinião pessoal, mas você dizer que algo é chato não é uma boa base para começar uma discussão sobre cinema. Acho que até por isso você e algumas outras pessoas devem compor uma mesa do cinema paranaense no Putz desse ano. Tentando adiantar um pouco, tem algum aspecto do cinema paranaense que você ache relevante destacar, ou melhor, quando alguém diz “cinema paranaense” você tem algum panorama na tua cabeça, como é, o que vem na tua mente?
RG – Puxa, tenho medo de parecer meio chato em relação a essa questão. Lembro que o pessoal começou a perguntar sobre o cinema paranaense quando o meu filme começou a ser exibido em festivais. Eu nunca soube as classificações de cinema paranaense ou mesmo cinema brasileiro porque é muito complicado você delimitar o que é o cinema paranaense ou mesmo cinema brasileiro. Você pode ter um filme sendo feito por um brasileiro, um cara que nasceu no Brasil, mas o filme foi feito lá na índia, com a produção inglesa, equipe francesa sobre chineses... é muito complicado você delinear a nacionalidade de um filme até conseguir sustentar uma visão sobre o conjunto de filmes feito naquele país. O mesmo acontece com o estado do Paraná. Eu conheci alguns cineastas de Curitiba e convivo com o pessoal de Londrina, conheci também o pessoal de Maringá, cascavel, outras cidades e não sei se dá para ver características que se prendem aos realizadores que moram ou nasceram no Paraná. Dos filmes que mais aprecio – de alguns realizadores como Fernando Severo e também o trabalho de um cara que mora em Curitiba, o Murilo Hauser, - são obras bem diferentes e que estão em diálogo não apenas com cineastas brasileiros, mas artistas de outros países, obras contemporâneos ou não. Realmente não sei dizer o que é o “cinema paranaense”. Se fossem os filmes feitos das formas que moram no estado, não vejo nenhuma característica em comum, são filmes bem diversos, mas acho que o mesmo acontece com o cinema brasileiro. Acho difícil você falar que Limite de Mário Peixoto é cinema brasileiro. O cara morou na Europa um tempo, teve uma formação de vanguarda, daí porque ele voltou ao Brasil e fez um filme no Rio de Janeiro com equipe brasileira chamamos de cinema brasileiro, lógico. Está tudo muito misturado para gente poder delimitar isso é o cinema de uma nação. Basta ver o cinema americano que é feito por diretores do mundo inteiro e sempre foi assim, desde os diretores alemães que foram pra lá depois do nazismo. Hollywood sempre se alimentou de cineastas vindos de todos os lugares do mundo.

PUTZ – Concordo, talvez não seja um jeito muito esperto de fazer um recorte. Mas é o que está proposto por enquanto.
RG – Mas é complicado. Vou falar de cinema paranaense e não sei o que é!

PUTZ – Vamos ver o que as outras pessoas vão falar. Eu, quando alguém diz “cinema paranaense”, lembro da AVEC.
RG – É verdade. Essas classificações sempre remontam às coisas do estado, coisas institucionais no mau sentido, obrigatórias. São classificações que não ajudam em nada. A gente só se apóia nelas para efeito de concurso, sei lá, ou pra festival, mas não tem muito sentido para analisar filmes.

PUTZ – Estávamos falando do primeiro filme feito lá em Londrina. O que veio depois?
RG – Depois do Londrina em Três Movimentos, fiz um documentário bem amador sobre Arrigo Barabé e um show que ele fez em 2004 chamado Inimigo Público nº1. Digo amador porque o filme surgiu de maneira completamente imprevista. Eu vim com uma câmera para São Paulo e ele me chamou para o show. Eu fui lá conversei com ele, pedi para filmar os ensaios e aí filmei os shows naquele fim de semana. Depois fiz uma edição sobre isso. É um documentário que não tem entrevistas. Ele fica apenas observando, tentando mostrar como é o processo criativo de Arrigo. Depois, a gente foi para o primeiro filme de ficção, chamado O Quinto Postulado. É um filme de 15 minutos feito no suporte digital. Ele trabalhava a partir da idéia de que duas retas se cruzam no infinito. É um suspense psicológico. Esse tem seres humanos, então é um avanço em relação ao filme anterior, mas inda não tem diálogos. É uma narrativa extremamente audiovisual. A gente conta a história a partir de imagens e sons. Na época – eu nunca fiz faculdade de cinema, então tinha um medo de não conseguir expressar direito o que queria – o desfio era ver se a gente conseguia contar uma história por meio de uma narrativa audiovisual, apenas sons e imagens. Até lembro que na época li numa entrevista de Hitchcock, aquele livro famoso de entrevistas com Truffaut, que um grande exercício para um estudante de cinema era contar uma história por meio de imagens e sons. O desafio era esse. Aí veio o Satori Uso, uma verba maior, 100 mil reais do orçamento. A gente pôde finalizar em 35mm. Pensamos em começar com 35, mas comecei a fazer cálculos e vi que não daria para fazer no suporte analógico. Captamos com suporte digital, em HDV para finalizar em película, até porque a idéia era filmar bastante. A gente tinha essa idéia de que Jim Kleist faria um filme sobre Satori chamado Insolation e a gente estaria encontrando partes desse filme. Tentei fazer várias cenas para ter possibilidades na edição e criar um filme fragmentado. Quando você tem o filme em suporte 35mm, dá para mandar para festivais que antes não poderia. Para todos os festivais que mandei no Brasil, entrou e teve um apoio excepcional em Gramado. Agora a gente está fazendo um segundo filme em HD que já foi captado. Com Satori e Booker, a gente tem dois filmes de uma trilogia, a chamada trilogia do esquecimento que vai culminar num terceiro curta que talvez vá ser feito somente em 2009, chamado Pausa para Neblina, sobre o fotógrafo chamado Haruo Ohara. É um fotógrafo que morou em Londrina desde os anos 30 até morrer em 99 e tirou 10 mil fotos de Londrina. O acervo foi doado para o Instituto Moreira Salles que em 2008 deve lançar um livro do Haruo Ohara, até porque tem esse lance de 2008 ser o centenário da imigração japonesa. O nosso percurso é esse.

PUTZ – Queria te perguntar sobre tua formação de olhar, como você tomou gosto pelo cinema. Então começou lá em 1995?
RG – Eu era um daqueles caras que via bastante filme na tevê e pegava tudo quanto é bosta na locadora. Em 95, isso passou a ser uma opção mais consciente quando comecei a ver filmes mais antigos e a coincidência dos 100 anos de cinema. Naquela época não tinha a facilidade de hoje, de baixar filmes pela internet, não tinha tantos títulos em DVD, havia apenas alguns clássicos em VHS. Daí essa formação do olhar, não sei... acho que é algo que começa de maneira lenta e você so consegue dar um passo adiante quando você faz um filme. É quando você passa pelo processo de se posicionar atrás da câmera, pensar o enquadramento, pensar a distribuição dos personagens nos enquadramentos, estabelecer a relação que aquele plano vai ter com outro plano, quando você monta o filme, quando percebe o que deve ser levado em conta na hora de montar um cenário, quando vai pensar o roteiro visualmente, enfim quando faz parte de todo o processo, desde a captação da imagem, da finalização, da pós-produção, de tudo, quando você vai assistir um filme você tem uma série de insights diferentes de quando você nunca pisou num set de filmagem. Isso vai acontecendo de forma silenciosa, num processo, ao menos no meu caso, bem lento. Até hoje revejo filmes e saco uma coisa num filme que eu tinha visto há muito tempo. Você vai aprendendo como alguns diretores conseguiram expressar muita coisa partir de uma decisão ambígua na narrativa. Você fica porque aquele filme pode ser visto várias vezes, de formas múltiplas e sempre enriquecedoras. A gente tem uma certa tristeza achando que o cinema vai entrar em declínio, que agente já viu os principais filmes e que não tem mais nada pra ver, mas na verdade, existem milhares de filmes para ver, filmes a que não temos acesso e ainda assim você pode ainda rever vários filmes que você julga importantes. A formação de olhar além de ser um processo constante e sempre renovador, e cada vez mais exigente, também vai envolver não apenas essa questão de você ver filmes, mas também a relação com outras linguagens que são paralelas, as artes plásticas, a música. Até porque, quando você vai montar um filme, tem que estar atento a características que estão mais perto de uma linguagem musical. São questões de harmonia, de ritmo, de cadência e outras questões do universo da musica. A montagem tem um ritmo, cadência, relação de cores, e outras coisas. Já literatura exige de você uma outra atenção. Quando assisto um filme, eu não me sinto muito exigido. Parece que você é quase passivo. Lógico, da para prestar atenção na linguagem, não apenas no “conteúdo” exibido, mas quando você lê um livro, parece que são ativados outros mecanismos de apreensão em você e você fica muito mais atento, criativo, ativo em sentido mais amplo. Também acho a filosofia interessante, porque daí você abandona um discurso apenas estético e entra numa outra ordem de discurso que também é interessante. Então, acho pra formação de olhar, acho legal trabalhar em todas essas áreas, que são as que mais gosto. Também gosto de quadrinhos, teatro, mas eu me foco mais nessas que te falei.

PUTZ – Você descreveu o processo de revisão de filmes. Você pode citar um ou dois em que tenha ocorrido o que você descreveu?
RG – Nossa, eu fiquei muito surpreso quando revi o M de Fritz Lang. Eu tenho o VHS e finalmente vi um DVD do filme. Peguei o DVD, vi e pensei “caralho, várias coisas que eu não tinha visto”. Primeiro que tem um puta uso do som para construir um suspense. Acho que é o primeiro filme a usar o leitmotif, que é uma coisa da ópera, aquele assobio do Peter Lorre que, daqui a pouco, vai ter o assassinato de uma criança. Ele tem a construção de alguns planos, o plano de uma escada que você vê de cima, assim, e vai influenciar Hitchcock depois em Vertigo, Um Corpo que Cai. Tem ainda alguns cenários construídos de forma arrebatadora. Ele mostra aqueles policiais se reunindo numa montagem paralela com os bandidos se reunindo também para ver como vão pegar o assassino. O jeito com que ele faz a montagem, de forma bem sutil, quase que os diálogos das duas pessoas se complementam; você tem que ficar atento para não se perder. Agora, a caracterização visual dos personagens de Fritz Lang é totalmente arrebatadora. Parece que você está vendo o documentário da Alemanha dos anos 30, a forma com que as pessoas se vestem. Acho que ele deve ter sido feito em cenário na UFA, não deve ter sido feito nas ruas de Berlim. Realmente o visual do filme é algo absurdo. E também tem essa questão do discurso do Peter Lorre quando ele começa a desconfiar e perguntar como eles poderiam julgar, porque aquilo era uma corte de bandidos, etc. e ele não dominava o que ele fazia, ouvia vozes, era tomado por impulsos autodestrutivos. Isso me lembrou, me fez pensar que o filme parece muito atual, porque eles começam a buscar o bandido e ele pode ser qualquer um, pode estar entre nós, parece uma obsessão americana atual depois do terrorismo. Mas isso são associações que você faz e não estão no filme. Mas eu fiquei assustado com a riqueza da linguagem audiovisual de Fritz Lang. Ele tinha um completo domínio de ritmo do suspense. Vários momentos em que não acontece quase nada, de especulação apenas, policial que vai achar o bandido, depois tem perseguição em uma indústria que é fantástica e o julgamento. A caracterização dos personagens, o figurino, os cenários: é algo arrebatador. Fiquei com vontade de ver a versão da Criterion Collection porque nos EUA lançaram o DVD duplo que tem a janela correta do filme, porque na Alemanha, nessa época, faziam filmes em 1:19, sabe? Era um formato diferente. É complicado quando você pega um filme no Brasil e não consegue ver na janela correta.

PUTZ – Pois é, isso acontece direto quando ficamos à deriva da Continental Vídeo e afins.
RG – É mesma coisa que você ver um quadro cortado.
PUTZ – É um absurdo mesmo. Bacana você ter falado de Fritz Lang e associar com Hitchcock, uma bela lembrança. Tem muito pano pra manga, mas temos que encerrar agora. Obrigado.


Publicado por PUTZ em 23:44

___________________________


Sábado, Abril 19, 2008

Inscrições encerradas!

As inscrições para o 5º PUTZ! estão encerradas. Os participantes devem aguardar a confirmação de recebimento por email.

Os vídeos selecionados serão divulgados por email e no site do festival, no dia 6 de maio. Aguarde a programação completa do festival.


Publicado por PUTZ em 13:28

___________________________


Quinta-feira, Abril 17, 2008

Importante!
Para aqueles que ainda vão inscrever os vídeos no festival

Os depósitos em lotérica, por opção da Caixa Econômica Federal, têm um limite diário. Para evitar imprevistos no último dia de inscrição, o melhor é efetuar o pagamento da taxa de inscrição na rede bancária.


Publicado por PUTZ em 22:10

___________________________


Quarta-feira, Abril 16, 2008

Faltam dois dias!

As inscrições terminam no dia 18 de abril. Corra!


Publicado por PUTZ em 21:42

Conversa com Rodrigo Grota, da Coluna Kinoputz
Parte 2

A conversa continua.

PUTZ – Infelizmente eu não vi o filme Londrina em Três Movimentos. Do que ele trata, o que é esse filme?
RG – É um filme sobre uma cidade vazia. São três perspectivas de Londrina totalmente vazia, sem nenhum ser humano. A gente chama de três movimentos porque o primeiro movimento refere-se à natureza, então chamamos de “natural”, o segundo movimento é o aspecto urbano da cidade, também o arquitetônico, que chamamos de “concreto”, e o terceiro mistura um pouco de uma visão noturna da cidade, também uma visão futurista e um pouco mais abstrata, daí denominada “imaginário”. Então é “natural”, “concreto” e “imaginário”. Três visões da cidade. Cada um tem uma música composta por Arrigo Barnabé. É um cara que nasceu em Londrina, no começo da década de 70, foi para São Paulo, então ele tem uma relação forte com a cidade de Londrina. Casou muito bem a música dele com imagem. Naquela época comemoravam-se 70 anos de Londrina. A questão era homenagear a cidade, mas com um objetivo, como dizer, não festivo, não chapa-branca, não comercial, nem simplesmente dizer que a cidade é linda, maravilhosa. É uma visão da cidade um pouco mais amarga, com certo sentido de isolação. É como eu via a cidade naquela época. A idéia surgiu às 5h e pouco da madrugada, quando eu morava bem no centro. Você conhece Londrina?

PUTZ – Não, nunca fui.
RG – As duas ruas principais da cidade, a Higienópolis e a JK, o cruzamento delas estava totalmente vazio, aí apareceu um sentimento de melancolia. Pensei “e se eu fizesse um filme somente a partir desse sentimento de olhar a cidade, lugares que vemos muito lotados, totalmente vazios.” O filme tem esse ponto de partida. Depois ele mostra outras coisas. É totalmente amargo.

PUTZ – É um filme que tenta se relacionar com a cidade?
RG – É um filme que tenta se relacionar com a cidade a partir do momento em que ele busca fragmentos da cidade que são possíveis e que as pessoas poderiam dar atenção, mas nunca reparam nesses fragmentos, por dois motivos: o primeiro é que as pessoas passam pela cidade sem se deter em outras coisas, o olhar sempre distraído. Também só é possível ter esse olhar para os fragmentos da cidade porque a gente estava munido de uma câmera. Porque, quando você olha pra cidade com uma câmera montada, tentado compor um quadro, você começa a delimitar novos parâmetros de como olhar para aquilo, começa a criar relações geométricas, de cores, você se posiciona diante daquilo que você está vendo, o objeto a ser filmado. Por isso também quando você está com uma câmera, você realmente consegue às vezes perceber uma ou outra coisa diferente porque você está sempre com um quadro delimitado ali, apontando para as coisas. A noção era descrever a cidade, mas nunca de forma subjetiva. Tem vários pontos do filme que as pessoas que moram há muito tempo em Londrina não conseguem reconhecer, as avenidas centrais. E até tem lugares que não lembro mais onde são, porque a gente filmou a cidade por dois meses e meio e chegou ao final com quase 40 horas de imagens para reduzir a uma versão final de 15 minutos. Era o nosso primeiro filme. A gente tentou se estruturar da melhor maneira, tinha 15 mil reais em recursos, com patrocínio da Prefeitura de Londrina. Não era uma verba suficiente para fazer o filme, então era um esquema de batalha, de guerra. Filmar com 15 mil reais por dois meses e meio saindo com equipe é praticamente impossível. Acabou dando certo porque todo mundo estava a fim de fazer. Esse filme acabou sendo a primeira produção da Kinoarte, que criamos criou em julho de 2003. O filme começou a ser produzido em setembro.

PUTZ – Isso era uma coisa que quero entender melhor. O que vocês fazem exatamente na Kinoarte? Pelo que sei, há cursos, um festival de cinema anual e uma mostra também. Como vocês atuam?
RG – A gente atua em quatro áreas. O grande carro chefe é produção de filmes. De julho de 2003 pra cá a produzimos uns 14 filmes. Curtas em 35mm, superoito, digital. Depois da produção, o foco também é exibição. Assumimos a coordenação da Mostra Londrina de Cinema em 2005. Também temos um programa de exibição de curtas mensal chamado Kinoarte Mostra Curtas. A gente realiza esse projeto desde outubro de 2004, no bar Valentino, que é o bar mais alternativo de Londrina, ponto de encontro de produtores culturais. De lá pra cá exibimos quase 200 curtas já. Além disso, tem o Kinoclube em que passamos longas-metragens que sejam raros ou de difícil acesso e que não tenham sido lançados no mercado local de cinema e vídeo. Além da exibição,temos o foco da formação, que são os cursos que a Kinoarte promove ou as pessoas que a Kinoarte convida para ministrar cursos. De 2005 para cá, quando começaram as oficinas Kinoarte, Ruy Guerra deu uma oficina de direção; Walter Lima Júnior deu um curso de direção de atores; Hílton Lacerda, que é o co-roteirista de Baile Perfumado e Árido Movie e dirigiu Cartola com Lírio Ferreira, deu um curso de roteiro; Kiko Goifman, o diretor de 33, deu um curso de documentário; Carlos Ebert, diretor de fotografia em O Bandido da LuzVemelha, deu um curso de fotografia e depois deu um curso teórico sobre as relações entre fotografia, pintura e cinema; Joel Pizzini deu curso de cinema de poesia. São cursos voltados ao aprofundamento da linguagem de cinema, são profissionais renomados nacionalmente. Eu tenho sempre a preocupação de trazer pessoas para Londrina que trabalham o cinema de uma forma pessoal, que não tenham apenas uma questão profissional o “sou um profissional do cinema” no mau sentido. São pessoas que tem uma preocupação com linguagem e se expressam por meio de seus filmes. E tem as oficinas do Kinoarte que o pessoal do Kinoarte promove. Ano passado, a gente deu duas oficinas de realização de cinema. Um foi numa cidade próxima a Londrina, Cornélio Procópio, que resultou em um filme chamado Morre o nome e o segundo foi no segundo semestre que resultando no filme chamado O Casaco, que foi realizado em Londrina. Ano passado também ministrei um curso de história do cinema que já tinha dado em 2003. A última área de atuação do Kinoarte é de preservação. A gente telecinou um filme rodado em londrina em 59, com lente anamórfica, feito em 16. Passamos para DVD porque exibir as cópias em 16 é cada vez mais raro. Falei muito, né?


Publicado por PUTZ em 21:40

___________________________


Domingo, Abril 13, 2008

Faltam cinco dias!
Prefeitura de Curitiba apóia Oficinas PUTZ! sobre cinema

A Prefeitura de Curitiba manteve o apoio ao PUTZ! Festival Universitário de Cinema e Vídeo. Nessa quinta edição do festival, ela patrocinará a realização de três oficinas sobre produção audiovisual na Cinemateca de Curitiba, nas tardes dos dias 28, 29 e 30 de maio. Com inscrições gratuitas, as oficinas deverão preencher uma lacuna diagnosticada pela equipe de organização do festival: incentivar a exibição é legal, mas dar meios para que se aprimore a parte técnica dos realizadores é imprescindível. Todo universitário aficcionado por audiovisual sabe o que é perder horas na edição por inexperiência e falta de familiaridade com o jeito tradicional de se fazer as coisas. A criatividade, marca das peças geralmente inscritas no festival, não preocupa. A formação profissional de toda uma classe de jovens cineastas, sim.

Não desgrude o olho do site do 5º PUTZ!, pois em breve anunciaremos quando, como e onde você irá para participar dessa atividade complementar ao festival. Fique esperto! Faltam apenas cinco dias para que você inscreva o seu audiovisual no 5º PUTZ!. Informações no site do festival.


Publicado por PUTZ em 08:51

Parceria com o SESC da Esquina garante mais conforto no 5º PUTZ!

Após quatro anos lotando os cinemas da Fundação Cultural de Curitiba, a nova parceria do 5º PUTZ garantirá maior conforto ao público durante a exibição dos trabalhos selecionados para a mostra competitiva do Festival Universitário de Cinema e Vídeo de Curitiba. Entre os dias 27 e 31 de maio, o SESC da Esquina receberá as centenas de jovens, senhores e senhoras interessados na produção universitária de cinema e vídeo. Ao todo, serão 300 lugares sentados, 150 a mais que nos anos anteriores. A entrada é franca, claro.

Para quem for esticar as pernas no hall de entrada entre um audiovisual e outro, mais uma surpresa: chá mate Real, para saciar a natural sede depois de horas seguidas de atenção, riso e choro provocados pelas histórias da telona. Quer mais motivos para inscrever o seu vídeo no 5º PUTZ, além do conforto da família e amigos na hora da exibição e premiação? Aqui vai outro: todos os dias de evento haverá um debate com os realizadores das peças. Uma oportunidade e tanto para interpelar quem fez algo que te desagradou e/ou mergulhar na técnica e concepção das obras mais bem executadas. Vivência pura.


Publicado por PUTZ em 08:50

___________________________